No aikido, o treino começa com uma reverência em direção ao kamidana. Senta-se em seiza, as mãos são levadas à frente do rosto com os braços semi-estendidos. Duas palmas são executadas. Posteriormente mais duas palmas. Porém, há um pequeno período de silêncio entre as duas palmas iniciais e as duas posteriores. É aí que reside o “mokuso”. A movimentação da realidade da vida diária vem nas respirações e na agitação dos alunos até que se sentem em seiza e aquietem-se. Quase que um momento de meditação, o mokuso marca uma transição. Serve para silenciar preocupações, desejos, preconceitos, enfim, perturbações que nos acompanham frequentemente no dia a dia. Não se trata de um processo de alienação ou de desligamento. Ao contrário, é no dojo que a realidade pode ser entendida com uma consciência diferenciada. Ao final do treino, repete-se o procedimento. Faça o melhor durante a sua prática: mesmo cometendo erros, terá nova chance em outro treino, em outro dia. Nosso universo é feito de mudanças. Entenda as transições e aproveite as oportunidades.
Antônio de Pádua Moreira de Souza
5º dan pela International Aikido Federation (IAF)
Presidente e Fundador da Associação Catarinense de Aikido (ACAI)

